Em um período que antecede as eleições, e na verdade não só neste, mas todas as estações das nossas vidas, seremos estimulados a construir relacionamentos sustentado pelo viés financeiro. Porém, podemos ignorar as consequências, os efeitos colaterais produzido por uma aproximação pautada por este caminho. Podemos perceber em nossa nação quantos lideres que estão terminando suas carreiras de forma tão expostas por acreditar neste pensamento: Se pagar bem, que mal tem? Nesta filosofia de vida faremos qualquer coisa pelo dinheiro. Percebo ao conversar com amigos quantas alianças são firmadas neste momento, onde centenas de pessoas estão correndo atrás em estruturar seu próprio reino, disfarçado por uma preocupação em servir a comunidade, colocando à disposição para resolver os problemas existentes. A loucura pelo grande, ou desejo por cargos mais elevados é tão comum que podemos perceber que vários não conseguem nem cumprir o propósito da gestão para qual assumiram um compromisso. Não quero com esta reflexão apontá-los ou mesmo denigrir tais condutas, mas fazermos uma pergunta para nós mesmo: O que nos leva a querer sempre uma função maior, um cargo ou um valor monetário mais expressivo? O que nos leva a loucura das altas posições, ocupar lugares altos para nos firmar no poder? Será que é pelo simples fato de auxiliar a sociedade ou fruto de uma insatisfação, pois aquilo que já alcançamos não gera mais contentamento em nosso ser? Assisti um seriado onde mostrava um presidente de um Banco Central sendo levado dentro da viatura, depois de ser capturado em sua residência, e uma cena chamou muito a minha atenção: Enquanto ele estava sendo levado dentro de um carro da policia federal, seu neto corria atrás da viatura e seu avó olha para trás. Fiquei vendo aquela cena e imaginando o que passaria dentro da cabeça daquele avó, será que em algum momento ele pode perceber que tipo de legado, de história, de imagem estava sendo marcada na mente do seu ainda pequeno netinho? Confesso que o texto em Eclesiastes, capítulo sete, verso oito, faz-me pensar com muito cuidado como terminarei meus dias, que legado deixarei para meus filhos, ou para os filhos dos meus filhos? O texto no adverte: Enoque, Melhor é o fim das coisas do que seu início. Diante deste alerta faço a seguinte pergunta para mim mesmo: Como terminarei meus dias? Você já pensou sobre isto? Tenho acompanhado algumas pessoas na orientação no replanejamento financeiro e percebemos o quanto o emocional controla nosso nível de consumo e decisões financeiras. Também ao longo desta jornada como gestor financeiro, percebi pessoas que ascenderam de uma forma muito rápida, porém por meios de caminhos não sustentáveis, e sua subida como um cometa “Halley”, depois de algum período, o efeito contrário se deu na mesma proporção. A difícil tarefa é como encarar agora uma exposição, uma vergonha diante dos seus pares? Alguns por tamanha vergonha acabam tomando decisões mais drásticas. Por isto diante dos desafios que a vida nos convida, devemos atentar também para esta área tão sensível. É justo desfrutarmos da porção que recebemos diariamente, e temos que atentar para os sintomas do nosso coração e nos submetermos a palavra de Deus, para que mesmo que tenhamos um estilo de vida, semelhante ao velho, experiente, e competente cobrador de imposto, como a história citada em Lucas 19, o Zaqueu, quando este teve um encontro verdadeiro com a luz, com a palavra, com o próprio Cristo, seu caráter foi restaurado e podemos perceber uma mudança significativa. Esta história é fantástica, pois fico tentando construir as próximas visitas de Zaqueu nos comércios ou mesmo nas pessoas físicas, com alguns valores dentro da mala, porém agora não era mais para lesar, para desfrutar da velha e diabólica filosofia do “Se pagar bem, que mal tem?”, agora ele estava recuperando um sintoma de ódio gerado nas pessoas das quais ele havia defraudado a seguinte expressão. Que plano de governo o cobrador de imposto Zaqueu está representando agora, pois ele foi lá na minha empresa e devolveu parte do valor que havia cobrado como excedente? Esta exposição verdadeira sobre o evangelho de Cristo nos coloca em uma posição onde nosso coração não se alegrará mais em tirar vantagem, em enganar, em acumular riquezas e mais riquezas na intenção de construir o nosso próprio império. Por isto coloco meu coração em alerta em saber entender as estações, quando devo aceitar e quando não devo aceitar estas propostas. Todos que exercem papéis de liderança, principalmente aqueles que representam um bom grupo de pessoas, quem atentos, pois você poderá ser procurado com propostas semelhantes para fazer associações, para ser uma conexão para que tal pessoa consiga seu intento. A pergunta que devemos fazer primeiro a nós: O que me levaria a fazer uma associação? O novo cargo, uma posição relevante e de prestigio? Ganhar muito mais, fazendo bem menos, ou mesmo não fazendo nada? O que se passa em nossos corações?

 

 

 

Pr. Enoque Caló – OBPC Tabernáculo do Jacui, escritor e palestrante

texto extraído: https://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/se-pagar-bem-que-mal-tem