Ser ministro – Glenio F. Paranaguá

“Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.” I Co 4:11

Certa ocasião, o Ministro da Educação do governo brasileiro, Carlos Portela, em face de pressões políticas, declarou: Estou ministro, não sou ministro. O gabinete ministerial dos governos é sempre transitório. Nenhum ocupante da pasta pode ter certeza de sua permanên-cia no ministério, causando continuada instabilidade.
Há uma larga diferença entre ser e estar ministro. No âmbito do reino de Deus este assunto também tem suas conotações. Há muitas pessoas que se investem da presunção de se tornarem ministros. Assumem uma postura e tomam posições diplomáticas a fim de serem reconhecidos como ministros de Deus. Mas ser ministro não é uma questão de protocolos ou procedimentos. Vamos observar aqui algumas condições marcantes, que foram oferecidas por homens de Deus na história e que caracterizam o perfil de um ministrante do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
O primeiro traço de um ministro de Deus é sua filiação. Ninguém pode ser escolhido para ser ministro se não fizer parte da família de Deus. É preciso ser regenerado por Deus para ser filho de Deus. Sem novo nascimento autêntico não há convocação incontestada. Sem a morte da velha vida é impossível ser servo do Senhor Jesus. Antes de ser chamado ao ministério da pregação do Evangelho, é preciso ser transformado pelo poder do Evangelho. Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 2Coríntios 5:17. O homem que prega a cruz precisa ser um crucificado. Antes de recrutar o pregador é preciso crucificar o pecador, pois há um risco sério: Um homem pode ser um falso profeta e ainda assim falar a verdade.
Em segundo lugar, é indispensável uma consciência real de sua vocação. No ministério cristão não há lugar para oferecidos. Ninguém, a não ser aquele que fez o universo, pode escolher um ministro do seu Evangelho. Os intrometidos podem estar ministros, mas não são. Ninguém se torna ministro se não foi convidado especialmente e ordenado pela imposi-ção de mãos invisíveis. Sem a consciência da convocação divina não haverá consagração verdadeira. O homem só deve entrar no ministério cristão se tiver plena convicção de que não consegue ficar fora dele, em razão do seu chamamento. Dr. A. W. Tozer disse certa feita: Não consigo lembrar-me, em todas as minhas leituras, de um único profeta que se candidatasse a seu trabalho. Todos os profetas de Deus foram selecionados e escolhidos pelo próprio Deus. Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Isaías 6:8.
Uma terceira qualidade dos que são ministros de Cristo é o seu amor. Eles amam a Deus acima de tudo ao ponto de obedecê-lo com reverência e prazer. O amor e a obediência a Deus estão de tal maneira entrelaçados um com o outro, que a existência de um implica na presença do outro. Sendo assim, a obediência a Deus é a prova infalível de um amor sincero e supremo por Ele. A evidência de nosso amor a Deus é a obediência a Ele. O amor do filho para com o seu Pai precisa incluir a obediência, de outra forma não tem significado. O melhor critério para avaliar uma vida espiritual autêntica não são os êxtases, nem os milagres, mas o amor em sua expressão de obediência. Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. João 14:15 e21. Eles também amam as pessoas com tanta intensidade que são incapazes de enganá-las. A mensagem verdadeira muitas vezes é dura, mas é amorosa. Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos. Provérbios 27:5-6.
Só quem ama pode falar a verdade com amor, ainda que isto custe muito sofrimento, pois a prova do amor está em sua capacidade de sofrer pelo objeto de sua afeição. O amor busca apenas uma coisa: O bem eterno do seu amado. E se não for assim, o que estamos demonstrando não é de fato, amor. O Evangelho de um coração quebrantado começa com o ministério de corações que sangram. Quando paramos de sangrar, paramos de abençoar. Ministros que não amam a Deus de todo o coração não podem amar as pessoas com o mesmo propósito como Deus as ama. A maior e melhor coisa que pode ser dita acerca de um ministro é que ele amou ao Senhor, e amou de tal maneira, que deu a sua vida para pregar a verdade do Evangelho, por amor às pessoas a quem Deus ama.
A quarta marca de um legítimo ministro de Cristo é a humildade. Um homem cheio de si jamais poderá pregar verdadeiramente o Cristo que se esvaziou de si mesmo. Os topos das montanhas freqüentemente são frios, áridos e estéreis, enquanto os vales são quentes e férteis. Os melhores amigos de Deus foram homens humildes. J. I. Packer afirmou assim: Só depois que nos tornamos humildes e ensináveis e permanecermos extasiados diante da santidade e soberania de Deus… reconhecendo nossa pequenez, desconfiados de nossos pensamentos e desejando ter a mente humilhada, é que podemos adquirir a sabedoria divina. Santo Agostinho insistia que os altivos cumes das colinas deixam a chuva esvair-se; os humildes vales são ricamente regados. Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará. Tiago 4:6 e 10. Alguém já disse: Não há limite para o bem que um homem pode fazer, se ele não se importar com quem recebe os louvores. O trono da graça é o único lugar elevado que se sobe descendo os degraus da humildade. Quanto mais elevado estiver o homem na graça, menor ele será a seus próprios olhos. A maneira correta de crescer é crescer menos para si mesmo. Não há no universo ser mais ridículo nem mais digno de pena do que um ministro soberbo pregando o Evangelho do Cristo humilde e humilhado. Há três tentações especiais que assaltam os líderes cristãos: A tentação de brilhar, a tentação de queixar-se e a tentação de descansar. A melhor maneira de vermos a luz divina brilhar sobre nossas vidas é apagar a nossa própria vela. Se cremos que a morte de Cristo é a nossa morte e a sua vida ressuscitada é a nossa vida, então a sua glória é a nossa luz, a sua causa, os nosso direitos e a sua comunhão, o nosso descanso.
E em quinto lugar, o ministro é visto pela sua dedicação, atitude que não tem medo de sacrifícios. Homens flamejantes são invencíveis. O inferno estremece quando os homens se incendeiam. O mensageiro da igreja de Laodicéia é tépido e seu estilo é tedioso. Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca. Apocalipse 3:15-16. É repugnante esta temperatura sem zelo. A ânsia de Jesus e o seu enjôo são resultantes da falta de fervor. William Booth, fundador do Exército da Salvação, gritava: Quero a minha religião como o meu chá – quente! E John Wesley bradava: Incendeie-se por Deus, e os homens virão ver você pegar fogo. O fogo do Espírito, não mero emocionalismo. Entusiasmo, mas não animação. Avivamento e não vivacidade. Avi-vamento não é tampa explodindo, mas o fundo caindo. O zelo é como fogo; necessita tanto de combustível como de vigilância. Mas precisamos de homens verdadeiramente dedicados. Que espécie de homem deve ser o ministro de Deus? Deve trovejar na pregação e brilhar nas conversas. Deve ser flamejante na oração, resplandecente na vida e fervoroso no espírito.
Há muita gente na igreja que está ministro mas não é ministro. Tem carteira de ministro, porém falta caráter. Tem pose sem procedimento. Tem cargo no rebanho, mas não percebe as cargas das ovelhas. Paulo fala da graça que lhe foi outorgada para fazê-lo ministro de Cristo Jesus, no sagrado encargo de anunciar o Evangelho de Deus. A tarefa fundamental de um ministro da pregação não é ser eloqüente ou profundo, mas é ministrar com fidelidade a Palavra de Deus, a fim de alcançar os corações dos homens, promovendo uma radical transformação.

Pr. Glenio F. Paranaguá

http://www.palavradacruz.com.br/estudos/171-ser-ministro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *