A Cura do Orgulho – Pr. Thiago Guerra

“Refiro-me ao fato de cada um de vocês dizer: “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”, “Eu sou de Cefas”, “Eu sou de Cristo”. Será que Cristo está dividido?” 1Co 1.12-13a

O problema

É alarmante o fato de uma igreja tão nova ser tão problemática. Paulo esteve em Corinto por um ano e meio no trabalho de evangelização e plantação da igreja (51-52 d.C.). Ele escreveu para eles entre 54-55 d.C., ou seja, a igreja de Corinto tem no máximo três anos de existência. Veja como eles já estão, quantos problemas há no meio deles! Se de um lado, plantar igreja exige tempo e esforço, de outro, dividi-la é muito mais fácil e pode acontecer rapidamente.

O primeiro problema apresentado pelo apóstolo nessa carta é a “divisão partidária”. Vemos que os membros dessa igreja estavam se “filiando” aos seus líderes de preferência. Existia o PP – Partido Paulino; PFA – Partido filosófico de Apolo (lembre-se que ele era de Alexandria e um excelente comunicador At 18.24); PCC – Partido Conservador de Cefas (provavelmente judeus convertidos seguidores do apóstolo Pedro); PCdoB – Partido de Cristo do Bem, aqueles que diriam que só seguem Cristo e não precisam de nenhum líder.

Agora, que fique bem claro que o estava acontecendo nessa igreja não era um problema na liderança. Paulo não era contra Apolo, Cefas, muito menos contra Cristo. Nas vezes que Paulo cita Apolo nessa carta é sempre com um tom positivo (veja 1Co 3.6, 22; 16.12). Aprendemos, portanto, que é possível termos uma liderança saudável, mas ainda assim sermos uma igreja doente!

A raíz do problema

Ficaremos apenas na superfície se pensarmos que o que estava acontecendo era só uma questão de sectarismo. Se lermos com atenção o argumento de Paulo (1.10 – 4) veremos que o diagnóstico que ele nos oferece é seríssimo. Para Paulo, a raiz do problema era o ORGULHO. Veja:

a fim de que ninguém se glorie na presença de Deus […] para que, como está escrito, “aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1Co 1.29, 31).

Portanto, ninguém se glorie nos homens. Porque tudo é de vocês: seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras, tudo é de vocês, (1Co 3.21-22).

E o que é que você tem que não tenha recebido? E, se o recebeu, por que se gloria, como se não o tivesse recebido? (1Co 4.7)

A “glória própria” era o verdadeiro diagnóstico de Paulo para esses irmãos.[1] Ao escolherem seus líderes de preferência, estavam na verdade afirmando a si mesmos, nutrindo suas próprias paixões, dizendo que estavam certos em suas convicções, achando que eram superiores aos demais por fazerem parte de determinado partido.

Nós sabemos como isso funciona…

Em um mundo em que somos massacrados com a exposição de pessoas mais importantes que a gente, mais bonita, mais rica, mais inteligente, nos sentimos inferiores. Para resolver esse problema de identidade, nos apegamos a alguém, escolhemos nossos ídolos: “Eu sou da igreja do Pr. Fulano de Tal”; “Eu sou amigo de Ciclano”; “Eu tenho foto com Beltrano”. Estamos sempre tentando demonstrar a nossa relevância/identidade naquele em que nos associamos.

Da mesma maneira, aqueles que eram de “Paulo” se orgulhariam em terem recebido a mensagem do evangelho diretamente da parte dele, se orgulhariam em serem os “fundadores” da igreja. Os de “Apolo”, se achariam mais intelectuais e dariam preferência a uma linguagem mais rebuscada. Os de ‘Cefas”, talvez se gabariam por serem mais conservadores, e até os de “Cristo” revelariam seu orgulho ao dizerem que não precisam de liderança, são autossuficientes. Em todos os casos o problema era o mesmo: orgulho!

A cura do problema

A boa notícia é que Paulo não só demonstra a doença, mas nos oferece a cura – o evangelho. Por duas vezes nessa passagem Paulo faz menção à cruz de Cristo. A primeira de um modo indireto, e a segunda citação é bem clara:

“Foi Paulo crucificado em favor de vocês?” (1Co 1.13).

“…para que a cruz de Cristo não seja esvaziada” (1Co 1.17).

O apóstolo introduz a mensagem da cruz a esses irmãos orgulhosos[2]. A razão para tal é que perante a cruz de Cristo tudo é nivelado, somos todos pecadores! Se Cristo morreu para nos reconciliar com Deus, a postura de todos que se achegam perante o Cristo crucificado é a mesma, humilhação.

Perante a cruz de Cristo não há lugar para os grandes, poderosos, sábios, partidários, fortes, importantes. Não há lugar para o mérito próprio. Todos têm a mesma necessidade. Perante a cruz de Cristo um bandido pode dizer: “Jesus lembre-se de mim quando vier o seu Reino” (Lc 23.42), mas também, um centurião diz: “verdadeiramente este homem era o Filho de Deus” (Mc 15.39). Um ladrão e um centurião, diferentes em nível social e moralidade, mas com a mesma necessidade.

Mais adiante em seu argumento, Paulo diz que Cristo é a nossa “santidade, justiça e redenção”[3]. Ele quer nos ensinar que Cristo é de fato tudo o que precisamos, nossa satisfação e valor se encontram nele. Sendo assim, a nossa necessidade em afirmar nossa identidade em algo ou alguém é saciada. O evangelho cura o nosso orgulho!

Igreja, nós somos o povo da cruz, fomos reconciliados com Deus e com o próximo pela obra de Cristo. Não deve haver divisões no nosso meio. Não podemos dizer com nossas ações que “Cristo está dividido”. Sejamos promotores da paz e da união. Sejamos os primeiros a zelar pela glória e testemunho de Cristo no meio da nossa comunidade. Façamos de tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4.3). Travemos constante guerra contra o nosso orgulho, tendo sempre Cristo crucificado diante de nós.

[1] 1Co 4.6b: Assim, ninguém se orgulhe a favor de um homem em detrimento de outro.

[2] Veja também: 1Co 1.18; 2.2, 8

[3] 1Co 1.30

texto extraído do blog – https://voltemosaoevangelho.com/blog/2018/11/a-cura-do-orgulho

Thiago Guerra é pastor da Igreja da Trindade, em São José dos Campos, SP. Pós-graduado em Teologia Bíblica pelo Andrew Jumper, cursando bacharel em Teologia no Seminário Martin Bucer. É casado com Raquel Guerra, e sua filha se chama Helena

A Transformação e o legado da Reforma – Sociedade Bíblica do Brasil

A Reforma, que teve início em 1517, marcou profundamente a história do Cristianismo.

Os ensinos da Reforma, em suas distintas expressões, podem ser resumidos nos seguintes pilares, conhecidos como cinco solas (ou cinco Somentes).

Sola Gratia (“Somente a Graça”)

Romanos 3.24 “… sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.”

Efésios 2.8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.

Sola Fide (“Somente a Fé”)

Romanos 3.28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela

fé, independentemente das obras da lei.”.

Gálatas 2.16: “… sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.”

Sola Scriptura (“Somente as Escrituras”)

2 Timóteo3.16-17: ” Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”

1Pedro 1.23-25: “… pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada.”

Solus Christus (Somente Cristo)

João 14.6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”

Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

Soli Deo Gloria (Somente a Deus a Glória)

Efésio 3 20-21: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”

Apocalipse 5.13: “Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há,

estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro,seja

o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.”

Os dois Pecados do Povo de Deus (Jr. 2) – Pr. Samuel Suana

“Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto não serem deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua glória pelo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” Jr 2.11-13.

Jeremias foi chamado por Deus para profetizar ao povo de Deus! Um povo que estava acostumado com os elementos da religião de Deus. Um povo que tinha uma linda história de intervenções especiais efetuadas pelo Todo Poderoso Criador dos céus e da terra. Apesar de tudo isso, esse povo, nesse momento específico, precisava ouvir a voz de Deus e fazer algumas correções necessárias em sua prática espiritual.
De acordo com o texto supracitado, o povo de Deus havia trocado o Senhor. Havia abandonado o Deus que manifestou amor e cuidado, tanto com a eleição de Israel, bem como com a sustentação e cuidado em sua trajetória cheia de lutas e dificuldades; altos e baixos; perigos, espada, oposições e desafios outros que marcaram sua heroica história.
O que pode levar um povo escolhido por Deus a quebrar a aliança e desprezar a Fonte da Graça? Não há nada que justifique essa atitude insana, senão o descaso ao favor divino e a atitude soberba de um coração que está encharcado de pecado, levando à perda da sensibilidade espiritual e a completa cegueira pela Revelação divina.
Além do abandono ao Senhor, o profeta denuncia um outro pecado de igual modo detestável: A troca! Deixar o Senhor e o culto devido ao Seu nome e abraçar os ídolos, como sendo os promovedores da graça, cuidado, amparo e direção! Que tristeza! Como os ídolos entorpecem! Como Israel ficou doente por esses erros cometidos!
A essência da idolatria é a destituição do Senhor do Seu lugar de honra no coração humano. A idolatria é o desprezo ao senhorio do Rei dos Reis. É o voltar-se para caprichos e ambições pessoais e abrir mão da obediência e cumprimento dos preceitos do Senhor. A idolatria ainda campeia na seara cristã, procurando corações frágeis e descompromissados com as ordens divinas.
É necessário quebrantamento para que não se cumpra o que está em Jr 2.19: “A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te reprenderão; sabe, pois, e vê, que mau e quão amargo é deixares ao Senhor teu Deus, e não teres o meu temor contigo, diz o Senhor Jeová dos Exércitos.” Que o Senhor nos ajude para que tenhamos postura correta de povo de Deus nesse tempo!

 

Pr. Samuel Suana, dirige a igreja O BRASIL PARA CRISTO  em Pindamonhagaba – SP, Superintendente do Vale do Paraíba, e é tambem  escritor.

 

Dia da Bíblia – 2º domingo de dezembro

 

O Dia da Bíblia é dedicado à realização de eventos e pode ser comemorado tanto no segundo domingo de dezembro quanto ao longo de toda a semana que antecede a data. As atividades programadas são variadas e vão desde cultos até maratonas de leitura bíblica que mobilizam milhares de pessoas. Conheça a seguir como a Semana da Bíblia é comemorada.

Cultos – As igrejas planejam e realizam cultos especiais no Dia da Bíblia. Nestes cultos é lembrado o grande amor de Deus ao entregar a sua Palavra aos homens e o valor dessa Palavra na vida das pessoas. Em geral, nesses cultos são recolhidas ofertas especiais para ajudar na distribuição da Bíblia no Brasil e no mundo.

Carreatas – Muitas igrejas organizam desfiles de carros pelas principais ruas da cidade, ostentando faixas com versículos bíblicos. Carros alegóricos, com representações de Bíblias, normalmente fazem parte da carreata.

Concentrações – Igrejas de muitas cidades organizam concentrações públicas para celebrar o Dia da Bíblia. Estas concentrações ocorrem em praças, ginásios esportivos, estádios e outros lugares de fácil acesso ao público. Um culto público com pregação da palavra, orações e apresentação de corais e conjuntos musicais, normalmente é o clímax da celebração. Bíblias, Novos Testamento, Porções Bíblicas e Seleções Bíblicas são distribuídas nas concentrações.

Maratona – As igrejas organizam maratonas de leitura bíblica em seus templos ou em lugares públicos. Essas maratonas seguem dois modelos. No primeiro os textos são selecionados e lidos publicamente, normalmente em lugares com grande fluxo de pessoas. No segundo caso, é feita a leitura ininterrupta de todo o texto bíblico. Pessoas são escaladas para darem continuidade à leitura e ela só é interrompida quando se completa a leitura de toda a Bíblia. Normalmente esta leitura leva mais de um dia para ser concluída e implica em uma vigília.

Monumentos – Já vem de décadas o costume de levantar monumentos à Bíblia em praças públicas das cidades. O monumento à Bíblia é um testemunho público da importância da Bíblia para as pessoas e para a sociedade e, ao mesmo tempo, um marco da importância da Bíblia para a cultura do povo.

Distribuição – Existem igrejas que no Dia da Bíblia efetuam uma distribuição maciça de folhetos (Seleções Bíblicas), para que o povo conheça o valor da Bíblia em suas vidas. Também são feitas distribuições de Bíblias, Novos Testamentos e porções bíblicas. A distribuição de Bíblias, em geral, é feita em escolas, hospitais, empresas, quartéis ou outros tipos de organização.

Pedalando por Bíblias – Em vários países são organizados passeios ciclísticos para divulgar a Bíblia e arrecadar fundos em favor da causa da Bíblia. No Brasil esses passeios começaram a ser realizados no ano de 1998 e são chamados de “Pedalando por Bíblias”. Igrejas e entidades cristãs tomam a iniciativa de organizar o passeio. Cada participante, ao se inscrever, doa uma ou várias Bíblias para serem distribuídas a pessoas ou entidades necessitadas. Fazendo sucesso por onde passa, a iniciativa surgiu em 1984, na Austrália, com o ciclista Bob Forrest. Nesta ocasião, ele percorreu os 900 km que separam Sidney e Melbourne, na companhia de seu filho e de um amigo. Para cumprir esse percurso, o australiano conseguiu patrocinadores e destinou os recursos obtidos a projetos de distribuição de Bíblias. Replicado em mais de 20 países, como Alemanha, Argentina, Hong Kong, Namíbia, Sri Lanka e Suíça, o projeto foi adotado no Brasil em um formato que mobiliza milhares de pessoas em torno da divulgação da Bíblia Sagrada.

Jograis – Dentro da programação muitas vezes são incluídos jograis com temas bíblicos que podem ser realizados com a participação de várias pessoas.

 

 

 

extraido do site da SBB – http://www.sbb.org.br/eventos/diadabiblia/como-celebrar/

 

Por que a interpretação Bíblica é importante?

Apelando à mesma Bíblia, cristãos, mórmons e testemunhas de Jeová podem chegar admiravelmente a conclusões divergentes. Por exemplo, os cristãos creem que há um único Deus, o Deus trino (Pai, Filho e Espírito Santo), que existe e existirá para sempre. Os mórmons podem citar versículos para asseverar que o Deus da Bíblia é apenas um entre inúmeras deidades e que nós mesmos, se masculinos, somos também deuses. Testemunhas de Jeová afirmam que é blasfêmia dizer que Jesus ou o Espírito Santo é uma pessoa divina. Até pessoas que confessam o nome de cristão debatem veementemente se a Bíblia condena o comportamento homossexual. Em outro nível, cristãos genuínos podem ficar admirados depois de lerem um texto do Antigo Testamento que regulava doenças de pele infecciosas ou redistribuição de terra no antigo Israel (ver Questão 19, “Todos os mandamentos da Bíblia se aplicam hoje?”). Como esses textos são aplicáveis hoje? Evidentemente, não basta dizer: “Eu creio na Bíblia”. A correta interpretação da Bíblia é essencial.
O que é interpretação?
Interpretar um documento é expressar seu significado por meio de falar ou de escrever. Envolver-se em interpretação presume que há, de fato, um significado correto e um significado incorreto de um texto, e que devemos ter cuidado para não interpretarmos errado esses significados. Quando lidamos com as Escrituras, interpretar apropriadamente um texto significa comunicar, de modo fiel, o significado do texto do autor humano inspirado, embora não negligenciando a intenção divina (ver Questão 3, “Quem escreveu a Bíblia – humanos ou Deus?”).
As escrituras mostram a necessidade de interpretação bíblica
Vários textos na Bíblia demonstram claramente que há tanto uma maneira correta como uma maneira incorreta de entender as Escrituras. Em seguida, oferecemos alguns exemplos desses textos, com breve comentário.
2 Timóteo 2:15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Nesse versículo, Paulo exorta Timóteo a manejar bem ou “interpretar corretamente” (orthotomounta) a palavra da verdade, ou seja, as Escrituras. Essa advertência subentende que as Escrituras podem ser manejadas ou interpretadas de maneira incorreta.
Salmos 119:18 “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”. Aqui, o salmista rogou que o Senhor lhe permitisse entender e se deleitar no significado da Escritura. Essa súplica mostra que a experiência de entendimento prazeroso da Escritura não é universal.
2 Pedro 3:15-16 “Tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca desses assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles”. É claro, nas instruções de Pedro, que é possível distorcer o significado da Escritura. E, em vez de aprovar essa liberdade interpretativa, Pedro diz que perverter o significado da Escritura é um pecado de consequência séria.
Efésios 4:11-13 “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Se as Escrituras fossem entendidas automaticamente por todos, não haveria necessidade de mestres capacitados por Deus para instruir e edificar a igreja. A provisão de Deus de um ofício de ensino na igreja demonstra a necessidade de pessoas que possam entender e explicar corretamente a Bíblia.
2 Timóteo 4:2-3 “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”. As instruções de Paulo a Timóteo mostram que há uma maneira correta de pregar a revelação da Escritura e que também haverá corruptores dessa revelação

O texto acima foi extraído do livro “40 questões para se Interpretar a Bíblia”, de Rob Plummer, lançamento da Editora Fiel.

Consagração: Entrega do ser, totalmente a Deus – Pr. Samuel Suana

“Rogo-vos pois irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável, que é o vosso culto racional. E não conformeis com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que conheçais qual seja a boa, perfeita e agradável vontade do Senhor”. Rm. 12.1-2

Nesse texto o apóstolo Paulo faz uma maravilhosa descrição sobre o culto que apresentamos ao Senhor através da nossa própria vida. Isto é, cada crente pessoalmente, se oferecendo a Deus como uma oferta sobre o altar divino.
Esse é um processo que transcorre na vida de todos que confessaram Cristo como Senhor (Rm 10.9 e 10) e que tomaram parte na comunidade dos santos, a igreja. O doutor dos gentios lembrou que esse processo implica em metanóia e metamorfose. A primeira palavra grega é a mudança de pensamentos; a segunda a transformação manifesta no caráter e comportamento em geral.
Para você obter resultados nesse afã, é necessário atenção à Palavra de Deus e dedicação à oração. Quando você lê a Bíblia você toma consciência da vontade de Deus e quando você ora você fala ao Senhor sobre tuas dificuldades. A palavra de Deus causa um impacto muito forte em nós e leva-nos a desejar o que Deus planejou para nossas vidas. Através da oração, nosso coração clama a Deus por ajuda, criando expectativa da operação do Santo Espírito.
Essas duas coisas tornam o coração sensível e permite que as estruturas de raciocínio formadas ao longo da nossa vida sejam transformadas. A mente de Cristo torna o nosso padrão. O céu passa a ser o lugar mais desejável (Cl 3.1 e 2).
Consagração é o maior desafio no dia a dia cristão. Dedicar a vida a Deus e se livrar dos males que influenciam nossos pensamentos e emoções é missão possível com a graça de Deus e com a disciplina daqueles que amam ao Senhor Jesus. Resultados obtidos somente quando mantemos sintonia com os Projetos de Deus.

Consagrar é dedicar ao Sagrado aquilo que é Sagrado.

Ser ministro – Glenio F. Paranaguá

“Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.” I Co 4:11

Certa ocasião, o Ministro da Educação do governo brasileiro, Carlos Portela, em face de pressões políticas, declarou: Estou ministro, não sou ministro. O gabinete ministerial dos governos é sempre transitório. Nenhum ocupante da pasta pode ter certeza de sua permanên-cia no ministério, causando continuada instabilidade.
Há uma larga diferença entre ser e estar ministro. No âmbito do reino de Deus este assunto também tem suas conotações. Há muitas pessoas que se investem da presunção de se tornarem ministros. Assumem uma postura e tomam posições diplomáticas a fim de serem reconhecidos como ministros de Deus. Mas ser ministro não é uma questão de protocolos ou procedimentos. Vamos observar aqui algumas condições marcantes, que foram oferecidas por homens de Deus na história e que caracterizam o perfil de um ministrante do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
O primeiro traço de um ministro de Deus é sua filiação. Ninguém pode ser escolhido para ser ministro se não fizer parte da família de Deus. É preciso ser regenerado por Deus para ser filho de Deus. Sem novo nascimento autêntico não há convocação incontestada. Sem a morte da velha vida é impossível ser servo do Senhor Jesus. Antes de ser chamado ao ministério da pregação do Evangelho, é preciso ser transformado pelo poder do Evangelho. Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 2Coríntios 5:17. O homem que prega a cruz precisa ser um crucificado. Antes de recrutar o pregador é preciso crucificar o pecador, pois há um risco sério: Um homem pode ser um falso profeta e ainda assim falar a verdade.
Em segundo lugar, é indispensável uma consciência real de sua vocação. No ministério cristão não há lugar para oferecidos. Ninguém, a não ser aquele que fez o universo, pode escolher um ministro do seu Evangelho. Os intrometidos podem estar ministros, mas não são. Ninguém se torna ministro se não foi convidado especialmente e ordenado pela imposi-ção de mãos invisíveis. Sem a consciência da convocação divina não haverá consagração verdadeira. O homem só deve entrar no ministério cristão se tiver plena convicção de que não consegue ficar fora dele, em razão do seu chamamento. Dr. A. W. Tozer disse certa feita: Não consigo lembrar-me, em todas as minhas leituras, de um único profeta que se candidatasse a seu trabalho. Todos os profetas de Deus foram selecionados e escolhidos pelo próprio Deus. Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Isaías 6:8.
Uma terceira qualidade dos que são ministros de Cristo é o seu amor. Eles amam a Deus acima de tudo ao ponto de obedecê-lo com reverência e prazer. O amor e a obediência a Deus estão de tal maneira entrelaçados um com o outro, que a existência de um implica na presença do outro. Sendo assim, a obediência a Deus é a prova infalível de um amor sincero e supremo por Ele. A evidência de nosso amor a Deus é a obediência a Ele. O amor do filho para com o seu Pai precisa incluir a obediência, de outra forma não tem significado. O melhor critério para avaliar uma vida espiritual autêntica não são os êxtases, nem os milagres, mas o amor em sua expressão de obediência. Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. João 14:15 e21. Eles também amam as pessoas com tanta intensidade que são incapazes de enganá-las. A mensagem verdadeira muitas vezes é dura, mas é amorosa. Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos. Provérbios 27:5-6.
Só quem ama pode falar a verdade com amor, ainda que isto custe muito sofrimento, pois a prova do amor está em sua capacidade de sofrer pelo objeto de sua afeição. O amor busca apenas uma coisa: O bem eterno do seu amado. E se não for assim, o que estamos demonstrando não é de fato, amor. O Evangelho de um coração quebrantado começa com o ministério de corações que sangram. Quando paramos de sangrar, paramos de abençoar. Ministros que não amam a Deus de todo o coração não podem amar as pessoas com o mesmo propósito como Deus as ama. A maior e melhor coisa que pode ser dita acerca de um ministro é que ele amou ao Senhor, e amou de tal maneira, que deu a sua vida para pregar a verdade do Evangelho, por amor às pessoas a quem Deus ama.
A quarta marca de um legítimo ministro de Cristo é a humildade. Um homem cheio de si jamais poderá pregar verdadeiramente o Cristo que se esvaziou de si mesmo. Os topos das montanhas freqüentemente são frios, áridos e estéreis, enquanto os vales são quentes e férteis. Os melhores amigos de Deus foram homens humildes. J. I. Packer afirmou assim: Só depois que nos tornamos humildes e ensináveis e permanecermos extasiados diante da santidade e soberania de Deus… reconhecendo nossa pequenez, desconfiados de nossos pensamentos e desejando ter a mente humilhada, é que podemos adquirir a sabedoria divina. Santo Agostinho insistia que os altivos cumes das colinas deixam a chuva esvair-se; os humildes vales são ricamente regados. Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará. Tiago 4:6 e 10. Alguém já disse: Não há limite para o bem que um homem pode fazer, se ele não se importar com quem recebe os louvores. O trono da graça é o único lugar elevado que se sobe descendo os degraus da humildade. Quanto mais elevado estiver o homem na graça, menor ele será a seus próprios olhos. A maneira correta de crescer é crescer menos para si mesmo. Não há no universo ser mais ridículo nem mais digno de pena do que um ministro soberbo pregando o Evangelho do Cristo humilde e humilhado. Há três tentações especiais que assaltam os líderes cristãos: A tentação de brilhar, a tentação de queixar-se e a tentação de descansar. A melhor maneira de vermos a luz divina brilhar sobre nossas vidas é apagar a nossa própria vela. Se cremos que a morte de Cristo é a nossa morte e a sua vida ressuscitada é a nossa vida, então a sua glória é a nossa luz, a sua causa, os nosso direitos e a sua comunhão, o nosso descanso.
E em quinto lugar, o ministro é visto pela sua dedicação, atitude que não tem medo de sacrifícios. Homens flamejantes são invencíveis. O inferno estremece quando os homens se incendeiam. O mensageiro da igreja de Laodicéia é tépido e seu estilo é tedioso. Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca. Apocalipse 3:15-16. É repugnante esta temperatura sem zelo. A ânsia de Jesus e o seu enjôo são resultantes da falta de fervor. William Booth, fundador do Exército da Salvação, gritava: Quero a minha religião como o meu chá – quente! E John Wesley bradava: Incendeie-se por Deus, e os homens virão ver você pegar fogo. O fogo do Espírito, não mero emocionalismo. Entusiasmo, mas não animação. Avivamento e não vivacidade. Avi-vamento não é tampa explodindo, mas o fundo caindo. O zelo é como fogo; necessita tanto de combustível como de vigilância. Mas precisamos de homens verdadeiramente dedicados. Que espécie de homem deve ser o ministro de Deus? Deve trovejar na pregação e brilhar nas conversas. Deve ser flamejante na oração, resplandecente na vida e fervoroso no espírito.
Há muita gente na igreja que está ministro mas não é ministro. Tem carteira de ministro, porém falta caráter. Tem pose sem procedimento. Tem cargo no rebanho, mas não percebe as cargas das ovelhas. Paulo fala da graça que lhe foi outorgada para fazê-lo ministro de Cristo Jesus, no sagrado encargo de anunciar o Evangelho de Deus. A tarefa fundamental de um ministro da pregação não é ser eloqüente ou profundo, mas é ministrar com fidelidade a Palavra de Deus, a fim de alcançar os corações dos homens, promovendo uma radical transformação.

Pr. Glenio F. Paranaguá

http://www.palavradacruz.com.br/estudos/171-ser-ministro

O Céu é melhor – Pr. Samuel Suana

“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.”    Rm 8.18.

Estamos vivendo tempos difíceis. A maioria daqueles que tem um pouco de percepção e de sensibilidade espiritual, estão atônitos com a situação de nosso mundo nesses últimos tempos. As notícias persistem em relatar que as condições econômicas, financeiras e políticas estão críticas. A humanidade cada dia mais em apertos, apreensão e dificuldades. Um ar de desilusão, descrédito e indignação se instala na dimensão dos sonhos, expectativas e planos de muitos.
Percebemos que instituições tão necessárias a consistência da vida, da dinâmica governamental e trabalhista estão fragilizadas com o volume de denúncias, desentendimentos e perplexidade. Parece não haver solução para tamanha dificuldade. O povo de Deus tem, nesse tempo, uma preciosa oportunidade para, no exercício da fé e da confiança em Deus e na Sua Palavra, refletir, orar e criar expectativas.
Primeiramente o que temos aprendido com as Sagradas Escrituras é que, nosso ambiente definitivo não é aqui. Esse ambiente foi afetado pelo pecado e “toda a natureza geme, aguardando a redenção dos filhos de Deus” (Rm 8.22,22). Lemos na Bíblia acerca das maravilhosas promessas acerca de um maravilhoso lugar, preparado por Deus, para receber todos quantos confessaram Cristo como Senhor.
Em segundo lugar, ao perceber tamanha problemática, a igreja precisa orar. Cada um dos filhos de Deus deve falar com o Senhor sobre as necessidades encontradas aqui, em especial, orar para que nossas autoridades tenham lucidez e trabalhem com equidade e justiça, para que o povo simples viva tendo suas necessidades supridas (I Tm 2.1-5).
Por último, a igreja – cada cristão – não pode concordar com o erro. Não pode se valer de corrupção para se beneficiar, sobreviver, projetar etc. Precisa ser “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5.13-16). Deve se posicionar de forma justa e verdadeira e, com isso, influenciar as estruturas desse mundo a agir com mais justiça, equidade e responsabilidade.

“O Céu é um lugar maravilhoso, cheio de glória e gozo!”

 

Pr. Samuel Suana – Igreja OBPC em Pindamonhangaba